Maria Ivone Vairinho e Poetas Amigos

Setembro 08 2012

 

Da cicatriz do SER depois de ser

Emerge, no Poeta, o seu legado...

Melodia que o verso, ao ser traçado,

Imprime, no futuro, a quem vier...

 

Não morre, do poeta, esse poder

Pois cada verso seu, cristalizado,

Fica connosco, em nós é semeado

E cada um de nós o faz crescer!

 

Poeta é imortal, juro-vos eu,

Que entre tantos nasci e deles herdei

A fome imensa de cantar em verso...

 

Afastou-se de nós mas não morreu!

Desabrochou em rimas, bem o sei,

Floriu noutro local deste Universo!

 

 

 

 

Maria João Brito de Sousa

publicado por Maria João Brito de Sousa às 14:05

Abril 20 2012

publicado por Maria João Brito de Sousa às 12:42

Abril 02 2012

Sobre tudo o que nasça e que se exprima
Em forma do que nunca vos direi,
Desse enigma me basta, eterna, a rima
Pr`a vos falar do muito que eu não sei

E, mesmo que não haja quem redima
Quantas lacunas já por cá deixei,
Que importa se de música se anima
O quanto quis dizer, mas não logrei?

Jamais duvidarei de alguém que entenda
Que ousar a melodia é dar-lhe a voz
Que expressa o seu sentido universal,

Ou que, ao ouvi-la, exulte e compreenda
O quanto dela vibra em todos nós
Se o ritmo que alcançou for musical…



 

Maria João Brito de Sousa – 02.04.2012 – 14.53h


publicado por Maria João Brito de Sousa às 15:22

Fevereiro 02 2012

Como hei-de interpretar tão estranho gesto

De clara discordância e suspeição

Se, no que me respeita, é sempre honesto

Este acto de vos dar - ou não... - razão?

 

Tudo o que vos disser terá, de resto,

A mesma garantia de isenção;

- De quanta opinião guardar no cesto,

Construirei, mais tarde, opinião...

 

Se o tempo escassear, duplicarei

Em vontade o que falte às aptidões,

Em perda o que me for escapando em ganho

 

Mas, enquanto viver, eu escolherei

E irei sempre guardando opiniões,

Sem antes lhes medir força ou tamanho...

 

 

 

Maria João Brito de Sousa - 01.02.2012 - 18.57h

publicado por Maria João Brito de Sousa às 13:55

Dezembro 13 2011


É de longe que venho. O que eu corri…

 

Quantos prados eivados de ribeiras,

 

Quantos penhascos, quantas ribanceiras

 

E quanto esconso vale não percorri!

 

 

 

E o tanto que passou e que nem vi,

 

Na pressa de correr? Entre carreiras,

 

Se perdem forças, se ganham canseiras,

 

Se esquece tanto quanto eu já esqueci…

 

 

 

Às vezes muito tarde, noite afora,

 

Esperando a madrugada, como agora,

 

De pálpebras cerradas mas sonhando,

 

 

 

Outras vezes de dia, a qualquer hora,

 

Gravando a irreverência da demora

 

Neste quase insondável “sei lá quando”…


 

 

 

Maria João Brito de Sousa – 13.12.2011 – 21.16h


 

 

Imagem de um dos megalitos da Ilha de Páscoa, retirada da internet

publicado por Maria João Brito de Sousa às 22:26

Novembro 01 2011

Quis falar do Mondego e, na verdade,

É da foz do meu Tejo que vos falo

E cresce cá por dentro a voz que calo

E conta das saudades sem saudade

 

Solta-se o sonho oblíquo à claridade

E a linha de horizonte é um cavalo

Que não sei se lá está, se imaginá-lo

É lapso de memória ou se é vontade…

 

Galopa o meu poente à beira Tejo

Rumo a essas lonjuras que nem vejo

Por estarem tão além do meu futuro

 

Sobra-me, então, do sonho, o claro espanto

Do cavalo-solar que aqui levanto

E rasga, a ferro e fogo, um céu já escuro!

 

 

 

 

Maria João Brito de Sousa – 01.11.2011 – 16.00h

publicado por Maria João Brito de Sousa às 18:24

Outubro 27 2011

É por dentro das horas que desfio

O rosário das queixas que não faço

E esta fome de sol, que por cá passo,

Que me apodrece a vida e me faz frio

 

Sou abismo cavado em cada rio

Que rompe a terra mãe no seu abraço

E, do meu mais profundo, o puro traço

De quem, deixando-se ir, não desistiu

 

Mas, cada vez mais frio, dentro das horas

Que passam desmentindo outras demoras

Que o ciclo natural sempre despreza,

 

Se o leito do meu rio sabe que existe…

[se eu conquisto o direito de estar triste,

renego a minha afável natureza…]

 

 


 

Maria João Brito de Sousa – 26.10.2011 - 15.20h

publicado por Maria João Brito de Sousa às 02:01

Outubro 07 2011

 

Se a Cidade contasse os segredos

Das janelas fechadas dos dias

Quantos rostos e mãos não verias

Nas cortinas já gastas dos medos,

 

Quantos corpos em estranhos folguedos,

Quantas camas desfeitas, já frias,

Quantas mesas de pinho vazias

De uns pedaços de pão, mesmo azêdos?

 

Se a Cidade pudesse falar

E se erguida do chão, a gritar,

Rebentasse em protesto incontido

 

Levantando o seu punho no ar...

[... ah, Cidade que eu tento inventar,

nem eu própria sei dar-te um sentido!]


 

 

 

Maria João Brito de Sousa - 05.10.2011 - 15.03h  

 

 

publicado por Maria João Brito de Sousa às 23:35

Setembro 29 2011

ALENTEJO

 

Alentejo das gentes castigadas,

Dos sobreiros reinando nas planuras

E das vozes dolentes, bem timbradas,

Que falam de alegrias, de amarguras…

 

Alentejo das searas espraiadas

Pl`o trigo inacabável das lonjuras,

Das casas pequeninas, bem caiadas,

Onde, à lareira, o povo queima agruras

 

Onde a gente se senta nos poiais

E esse pouco parece muito mais

Que o melhor que o mundo possa dar;

 

Vontade unida em vozes tão plurais

Faz-nos saber que não será demais

O que homens e mulheres não vão calar

 

 

 

 

Maria João Brito de Sousa – 04.09.2011 – 15.37h

 

 

NOTA - Foi feita, neste soneto, uma pequena correcção correspondente a uma falha métrica no segundo verso do primeiro terceto.

publicado por Maria João Brito de Sousa às 15:10

Agosto 21 2011

Quem te estendeu, minha terra,

Sobre algas, areia e mar

Como quem chega e descerra

Reposteiros de luar?

 

Quem te polvilhou desse ouro

Das searas nas planuras

Como se fosses tesouro

Que tombasse das alturas?

 

Quem te desenhou assim,

De um traço firme e seguro,

Florida como um jardim

Sob um céu de azul tão puro?

 

Nas praias, rios e montanhas

Que, mesmo pequena, abraças,

Sorriste à graça tamanha

De abraçar todas as raças

 

Quem te estendeu, terra minha,

Sobre algas, mar e areia,

Tanto trigo e tanta vinha

Nos braços de cada aldeia?

 

Quem de ouro te polvilhou

As planuras do regaço

Quando o sol te iluminou

Desde as lonjuras do espaço?

 

Nas aldeias, nas cidades

Que de ti foram nascendo

Desabrocham as vontades

Cansadas de ir-se escondendo

 

E, quando a fome chegar

Quando os seus braços se erguerem,

Quando a voz se lhes soltar

Para exigir quanto querem

 

Da minha terra dourada,

Toda rios, toda montanhas,

Virão vozes revoltadas

De gentes brancas, castanhas,

 

De gentes de tantas cores

Como as flores da minha terra

De novo empunhando as flores

Como os soldados na guerra!

 

Ó minha terra-promessa

Da pressa que trago em mim,

Não há poder que me impeça

De cantar-te até ao fim!

 

 

 

Maria João Brito de Sousa – 16.08.2011 – 13.45h

publicado por Maria João Brito de Sousa às 00:08

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